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O blog de Mónica Lice.

16
Mai19

Festas do Divino Espírito Santo

Mónica Lice

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Quem é açoriano sabe bem a força que as Festas do Divino Espírito Santo têm em todas as ilhas, movendo multidões numa fé única e difícil de explicar.

 

E eu, nascida e criada na ilha Terceira, e tendo vivido lá até aos 18 anos, cresci nesta fé mística e, por isso, sempre participei nestas festas, de forma mais ou menos ativa, mas sempre especial.

 

Assim, quando soube, há um ano atrás, que os meus pais receberiam em sua casa, este ano, o Espírito Santo, marquei logo a viagem para os quatro, tal a vontade que as minhas filhas participassem também nesta tradição.

 

Na sexta à noite, lá fomos nós, depois de semanas de expetativa, em que a Laura já contava os dias que faltavam para partir. Não obstante andar de avião desde os seus 2 meses de vida, a verdade é que só agora começa a ligar mais e a absorver cada segundo da experiência, desde o aeroporto até à casa dos avós.

 

Quanto à festa religiosa em si (a "Coroação", como nós a chamamos, porque implica coroas representando o Espírito Santo) foi, claro, muito especial, para mim e para elas - que coroaram e viveram, pela primeira vez, todos aqueles rituais e experiências.

 

Para terem uma ideia mais precisa do que se trata, cada localidade tem as suas coroas próprias e uma espécie de capela, à qual chamamos de Império, dedicada ao Divino Espírito Santo. Estas capelas situam-se, normalmente, ao lado da Igreja, e não rivalizam com ela, antes complementando a fé, que se tem pelas três figuras da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.

 

Esta tradição ao Espírito Santo perde-se no tempo e é difícil de explicar. Acredita-se, no entanto, que pode estar ligada à Rainha Dona Isabel de Portugal. No Séc. XXI, Dona Isabel terá convidado o clero, nobreza e povo a assistir à Missa de Pentecostes.

 

Nessa missa, entre os pobres presentes, foi convidado o mais pobre para ocupar o lugar do rei, no trono, na capela-mor. O mesmo ter-se-á ajoelhado e o bispo colocou-lhe sobre a cabeça a coroa real, enquanto o povo cantava um hino: "Vinde Espírito Criador". Depois da missa, todos foram convidados para um almoço, servido pela rainha e pelos nobres.

 

Desde então, e com a devida autorização do rei, foram feitas coroas iguais à coroa do rei, que se distribuíram por todo o território português, incluindo colónias, para se replicar a cerimónia.

 

A verdade é que, muitos séculos volvidos, a festa repete-se nos Açores, com coroações e almoços, com pratos especiais, dedicados ao Divino, como as famosas Sopas do Divino Espírito Santo, que juntam um caldo de carne ao pão, resultando num manjar delicioso, sem esquecer a tradicional alcatra ou o arroz doce.

 

Assim, e logo depois da Páscoa (até ao Domingo de Pentecostes), a cada semana, uma família diferente recebe o Senhor Espírito Santo em sua casa (num altar montado para o efeito) e, no domingo, leva-o à missa, em procissão, com convidados, escolhendo pessoas para serem coroadas na cerimónia. No final, faz-se um almoço especial, para todos os convidados.

 

No nosso caso, os meus pais foram uma dessas famílias, e por isso, as minhas filhas foram coroadas - no caso da Emília, com uma coroa pequena, adaptada ao seu tamanho.

 

Não sei se recordarão a experiência, mas ficam as fotos para memória futura. Que guardem no coração e na mente estas tradições, tão minhas, e agora delas, e que nunca se esqueçam das suas raízes, estimando-as e preservando-as...

 

 

 

 

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